segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Vou ter dores na coluna pelo resto da vida? Qual a correlação da Dor e Exame de Imagem?

Nova pesquisa esquenta o debate sobre a realização desnecessária de exames de diagnóstico, colocando em xeque até que ponto eles são realmente benéficos à saúde.
A realização excessiva de exames é vista hoje como um dos mais graves problemas da saúde pública. Além dos custos elevados, há um questionamento sobre o impacto que isto gera no comportamento do paciente com dor.
A Ressonância Nuclear Magnética (RNM) é excelente para a avaliação da coluna, no entanto estes exames tem sido solicitados em demasia para um problema em que a avaliação clínica é muito mais importante para o diagnóstico e tratamento corretos.
A Campanha Choosing Wisely (“Escolhas Sábias”) é uma iniciativa da instituição americana ABIM (American Board of Internal Medicine), e busca um trabalho de conscientização dos médicos em relação ao uso racional da tecnologia diagnóstica e terapêutica, através de discussões nas sociedades de especialidades médicas
Vale ressaltar que é quase impossível em uma ressonância de coluna lombar de adulto, não haver alguma  alteração degenerativa, ou seja por desgaste, como protrusão de disco, artroses ou osteófitos (“bico de papagaio”). E ainda, 25% das pessoas que não sentem nada têm hérnia de disco na ressonância. Portanto, se você tem uma hérnia de disco, saiba que não está sozinho na população e que em 90% dos casos o tratamento é clínico, e se for bem realizado não haverá necessidade de cirurgia ou outro procedimento invasivo.
Mas exitem pacientes que são mal informados sobre a sua dor. A solicitação de imagens precoces, pode repercutir negativamente na melhora da dor do paciente, caso o diagnóstico seja fechado. Informações precoces baseados somente em exame de imagem pode resultar em alteração no comportamento de como o paciente vai agir perante aquele resultado. "A saúde é o espelho do que pensamos"A realização de ressonância magnética precoce desnecessária é considerada IATROGENIA (erro do profissional de saúde) e causa muitas vezes dano psicológico a boa parte dos pacientes que passam a proteger a coluna “danificada” e a se tornarem grandes consumidores dos serviços de saúde (Emery et al. JAMA, 2013, Webster et al. Spine, 2013)
A supervalorização das hérnias que aparecem nos exames de imagem como a ressonância magnética fica muito clara quando as pessoas dizem “a minha hérnia está se manifestando” sempre que uma dor lombar aparece. Ter uma crise de dor lombar incapacitante e ler o resultado “hérnia de disco” ou até mesmo ouvir de um profissional de saúde que a causa da dor lombar é a hérnia que aparece no exame de imagem é como se fosse uma condenação para muitas pessoas. A partir desse momento, o medo de danificar mais ainda a coluna fica claro em situações do dia a dia que envolvem principalmente pegar peso, atividades consideradas como sendo de impacto e permanecer em determinadas posturas. As limitações criadas por essas crenças incapacitantes vão desde as tarefas mais simples como dobrar o tronco para pegar algo no chão, até “não posso correr ou saltar por causa do impacto na minha hérnia”. Mas será que essas pessoas tem razão de ter esse medo?

Um boa Educação da Dor em Neurociência trás mais benefícios do que a insistência de pedidos de exame de imagens.  Uma das melhores maneiras do paciente não sofrer com a dor é ter cuidados com imagens e na comunicação. Interpretações podem ser geradas erroneamente sobre o seu problema. Propor um cuidado que busque a tecnologia apropriada à singularidade de cada paciente e de sua situação vivencial, tendo como premissa que nem sempre fazer mais significa fazer o melhor.
Luiz Fernando Sola - Especialista em Dor Crônica de Coluna
www.institutokrion.com.br

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