Nova pesquisa esquenta o debate sobre a realização
desnecessária de exames de diagnóstico, colocando em xeque até que ponto eles
são realmente benéficos à saúde.
A realização excessiva de exames é vista hoje como um dos
mais graves problemas da saúde pública. Além dos custos elevados, há um
questionamento sobre o impacto que isto gera no comportamento do paciente com dor.
A Ressonância Nuclear Magnética (RNM) é excelente para a
avaliação da coluna, no entanto estes exames tem sido solicitados em demasia
para um problema em que a avaliação clínica é muito mais importante para o
diagnóstico e tratamento corretos.
A Campanha Choosing Wisely (“Escolhas Sábias”) é uma
iniciativa da instituição americana ABIM (American Board of Internal Medicine),
e busca um trabalho de conscientização dos médicos em relação ao uso racional
da tecnologia diagnóstica e terapêutica, através de discussões nas sociedades
de especialidades médicas
Vale ressaltar que é quase impossível em uma ressonância de
coluna lombar de adulto, não haver alguma alteração degenerativa, ou seja
por desgaste, como protrusão de disco, artroses ou osteófitos (“bico de
papagaio”). E ainda, 25% das pessoas que não sentem nada têm hérnia de disco na
ressonância. Portanto, se você tem uma hérnia de disco, saiba que não está
sozinho na população e que em 90% dos casos o tratamento é clínico, e se for
bem realizado não haverá necessidade de cirurgia ou outro procedimento invasivo.
Mas exitem pacientes que são mal informados sobre a sua
dor. A solicitação de imagens precoces, pode repercutir negativamente na
melhora da dor do paciente, caso o diagnóstico seja fechado. Informações precoces baseados somente em exame de imagem pode resultar em alteração no comportamento de como o paciente vai agir perante aquele resultado. "A saúde é o espelho do que pensamos". A realização de ressonância magnética precoce desnecessária
é considerada IATROGENIA (erro do profissional de saúde) e causa muitas vezes
dano psicológico a boa parte dos pacientes que passam a proteger a coluna
“danificada” e a se tornarem grandes consumidores dos serviços de saúde (Emery
et al. JAMA, 2013, Webster et al. Spine, 2013)
A supervalorização das hérnias que aparecem nos exames de
imagem como a ressonância magnética fica muito clara quando as pessoas dizem “a
minha hérnia está se manifestando” sempre que uma dor lombar aparece. Ter uma
crise de dor lombar incapacitante e ler o resultado “hérnia de disco” ou até
mesmo ouvir de um profissional de saúde que a causa da dor lombar é a hérnia
que aparece no exame de imagem é como se fosse uma condenação para muitas
pessoas. A partir desse momento, o medo de danificar mais ainda a coluna fica
claro em situações do dia a dia que envolvem principalmente pegar peso,
atividades consideradas como sendo de impacto e permanecer em determinadas
posturas. As limitações criadas por essas crenças incapacitantes vão desde as
tarefas mais simples como dobrar o tronco para pegar algo no chão, até “não
posso correr ou saltar por causa do impacto na minha hérnia”. Mas será que
essas pessoas tem razão de ter esse medo?
Um boa Educação da Dor em Neurociência trás mais benefícios
do que a insistência de pedidos de exame de imagens. Uma das
melhores maneiras do paciente não sofrer com a dor é ter cuidados com imagens e
na comunicação. Interpretações podem ser geradas erroneamente sobre o seu
problema. Propor um cuidado que busque a tecnologia apropriada à
singularidade de cada paciente e de sua situação vivencial, tendo como premissa
que nem sempre fazer mais significa fazer o melhor.
Luiz Fernando Sola - Especialista em Dor Crônica de Coluna
www.institutokrion.com.br
Luiz Fernando Sola - Especialista em Dor Crônica de Coluna
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